Atualizado em 11/10/2026.

Doenças raras costumam exigir remédios de custo muito alto, às vezes sem registro no Brasil ou ainda fora das listas do SUS. Esses estão entre os casos mais delicados da Justiça da saúde, e o Supremo Tribunal Federal (STF) definiu regras que se aplicam diretamente a eles.

Criança recebendo cuidados no hospital

Três situações possíveis

Situação do remédioRegra principalOnde a ação tramita
Incorporado ao SUS para a doençaFornecimento conforme o protocolo clínico; se faltar, cabe reclamação e açãoConforme o fluxo do Tema 1234 para medicamentos incorporados
Registrado na Anvisa, mas não incorporadoSeis requisitos cumulativos do Tema 6 do STFJustiça Federal se o tratamento anual custar 210 salários mínimos ou mais; abaixo disso, Justiça Estadual
Sem registro na Anvisa, inclusive medicamento órfãoExceções do Tema 500 do STFJustiça Federal, contra a União

O que muda para os medicamentos órfãos

Medicamentos órfãos são os desenvolvidos para doenças raras. No Tema 500, o STF admitiu, em caráter excepcional, o fornecimento de remédio sem registro na Anvisa quando houver demora irrazoável da agência em analisar o pedido, registro em agências renomadas do exterior e ausência de substituto terapêutico registrado no Brasil. Para os medicamentos órfãos destinados a doenças raras e ultrarraras, a tese dispensa a exigência de pedido de registro no Brasil.

Médico com menina em consulta pediátrica

Alto custo e Justiça Federal

Quando o tratamento anual atinge ou ultrapassa 210 salários mínimos (R$ 340.410,00 em 2026), calculados pelo Preço Máximo de Venda ao Governo (PMVG), a ação de remédio não incorporado tramita na Justiça Federal, e a União arca integralmente com o custo, conforme os acordos do Tema 1234. Abaixo desse valor, a ação fica na Justiça Estadual.

As provas que mais pesam

Menina em sala de exame médico

Acompanhamento do tratamento

Os acordos do Tema 1234 preveem que o serviço de saúde cujo profissional prescreveu remédio não incorporado assuma o acompanhamento clínico contínuo do paciente e apresente relatórios periódicos sobre a evolução do tratamento. Manter consultas e exames em dia ajuda a demonstrar que o remédio continua necessário.

Médico atendendo mãe e filho

Perguntas frequentes

O plano de saúde cobre remédio para doença rara?

Depende. Se o remédio tiver registro na Anvisa e estiver no rol da ANS, ou se cumprir os critérios para cobertura fora do rol fixados pelo STF na ADI 7265, a cobertura pode ser exigida. Remédios de uso domiciliar e sem registro têm regras mais restritivas. Veja remédio fora do rol da ANS.

Quem pode entrar com a ação?

O próprio paciente ou seu representante legal, com advogado ou pela Defensoria Pública. O Ministério Público também é parte legítima para pedir remédio a pessoa determinada (Tema 766 do STJ).

Há prioridade na tramitação?

Pessoas com 60 anos ou mais ou portadoras de doença grave (as enumeradas no art. 6º, XIV, da Lei 7.713/1988) têm prioridade de tramitação, desde que a peçam ao juiz e comprovem a condição (art. 1.048, I e § 1º, do CPC). Em qualquer caso, a urgência pode ser demonstrada no pedido de liminar.

Veja também: remédio sem registro na Anvisa, remédio fora da lista do SUS e quem deve fornecer o remédio.

Fontes

Informações conferidas nas fontes em 11/10/2026.

Conteúdo informativo e geral. Não substitui a orientação de um advogado sobre o seu caso. Leis e decisões dos tribunais mudam: confira sempre a situação atual.