Atualizado em 10/10/2026.
Quando os pais se separam, é preciso definir a guarda dos filhos. Desde 2014, a guarda compartilhada é a regra no Brasil, mesmo quando os pais não chegam a um acordo. Mas muita gente confunde guarda compartilhada com “uma semana em cada casa”. Veja o que a lei diz, como funcionam a convivência e a moradia e quando a guarda pode ser unilateral.

Guarda unilateral x guarda compartilhada
| Tipo | O que significa |
|---|---|
| Guarda compartilhada | Pai e mãe que não vivem juntos dividem a responsabilidade e as decisões sobre a vida dos filhos (art. 1.583, § 1º, do Código Civil) |
| Guarda unilateral | A guarda fica com um só dos pais (ou com quem o substitua). O outro continua obrigado a supervisionar os interesses dos filhos (art. 1.583, § 5º) |
Na guarda compartilhada, os dois decidem juntos sobre escola, saúde, religião, viagens e outras questões importantes. Isso não se confunde com a divisão de casas.
A guarda compartilhada é obrigatória?
Quando não há acordo entre os pais e ambos estão aptos a exercer o poder familiar, o juiz aplica a guarda compartilhada (art. 1.584, § 2º). As exceções são:
- quando um dos pais declara ao juiz que não deseja a guarda;
- quando há elementos que indiquem risco de violência doméstica ou familiar (regra incluída pela Lei 14.713/2023).

Com quem a criança mora?
Mesmo na guarda compartilhada, define-se uma cidade de referência como base de moradia, aquela que melhor atender aos interesses dos filhos (art. 1.583, § 3º). O tempo de convívio deve ser dividido de forma equilibrada entre pai e mãe, considerando a realidade da família e o interesse dos filhos (art. 1.583, § 2º). Equilibrado não significa necessariamente metade exata do tempo.
O juiz pode se basear em orientação de equipe técnica (psicólogos, assistentes sociais) para definir as atribuições e os períodos de convivência (art. 1.584, § 3º).
E a pensão alimentícia?
A guarda compartilhada não elimina a pensão. Os dois pais devem contribuir para o sustento dos filhos na proporção de seus recursos, e o valor considera também com quem a criança passa mais tempo e quem arca com as despesas do dia a dia. Veja nosso guia sobre pensão alimentícia.

Como a guarda é definida
- Por acordo: os pais definem a guarda e a convivência e pedem a homologação judicial, inclusive na ação de divórcio ou de dissolução de união estável (art. 1.584, I);
- Por decisão do juiz: sem acordo, o juiz decide considerando as necessidades do filho e a distribuição do tempo de convivência (art. 1.584, II).
Na audiência de conciliação, o juiz deve explicar aos pais o significado e a importância da guarda compartilhada (art. 1.584, § 1º).
Descumprimento
A alteração não autorizada ou o descumprimento sem motivo das regras de guarda pode levar à redução de prerrogativas de quem descumpre (art. 1.584, § 4º). Mudanças importantes, como trocar de cidade com a criança, devem ser combinadas ou levadas ao juiz.

Perguntas frequentes
Na guarda unilateral, o outro pai perde direitos?
Não. Ele mantém o direito de convivência e o dever de supervisionar os interesses dos filhos, podendo pedir informações e prestação de contas sobre saúde e educação (art. 1.583, § 5º).
Pais que moram em cidades diferentes podem ter guarda compartilhada?
A lei não exige que os pais morem na mesma cidade. A cidade-base será a que melhor atender aos interesses dos filhos, e a convivência é organizada de acordo com a distância.
A guarda pode ser alterada depois?
Sim. Se a situação mudar, é possível pedir a revisão da guarda e da convivência, sempre com foco no interesse da criança.
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Fontes
Informações conferidas nas fontes em 10/10/2026.
Conteúdo informativo e geral. Não substitui a orientação de um advogado sobre o seu caso. Leis e decisões dos tribunais mudam: confira sempre a situação atual.